PERSPECTIVA

Inovação que pisa na rua

26.01.2026

O mercado global de soluções Phygital, ou seja, a integração estratégica entre o mundo físico e o digital, vive uma ascensão sem precedentes. Estimativas da Virtue Market Research indicam que este setor deve dobrar de tamanho até 2030, atingindo a marca de US$ 52,5 bilhões. Em terras brasileiras, o cenário é igualmente fértil: dados da PwC revelam que 88% dos consumidores já utilizam tecnologias integradas no varejo, consolidando o país como um terreno pronto para a inovação urbana.

Nesse contexto, a ONE.LAB - residente do STATE - cresce como uma mediadora entre o espaço físico e o comportamento humano. Para a empresa, o equilíbrio entre inovação e responsabilidade começa com uma pergunta fundamental: "Para quem é o espaço que estamos criando?". Confira, abaixo, o Pitch da ONE.LAB, gravado no STATE STUDIOS - o hub de criação de conteúdo do STATE.

Essa premissa guia o desenvolvimento de projetos que priorizam a acessibilidade e a responsabilidade socioambiental, transformando a tecnologia em uma ferramenta de inclusão, e não em uma barreira. Para entender como fazem isso, entrevistamos Daniel Dantas, co-founder & co-CEO da ONE.LAB.

Como a OneLab equilibra inovação tecnológica com questões sensíveis do espaço urbano, como acessibilidade, inclusão e privacidade de dados?

"Como regra em nosso negócio, precisamos sempre questionar e receber retorno sobre: PARA QUEM É O ESPAÇO QUE ESTAMOS CRIANDO. Com isso, criamos com base nessas premissas, porém, entendendo o espaço urbano, optamos sempre por oferecer ideias acessíveis e com responsabilidade social/ambiental."

De que forma dados coletados em experiências phygital ajudam marcas a tomar decisões mais estratégicas e como garantir o uso ético dessas informações?

"Coletamos os dados a partir das nossas próprias criações. Em nossos produtos digitais, incluímos, sempre a captação de dados, sempre para validar e garantir a veracidade da operação, respeitando claro, a LGPD."

Quais tendências globais de cidades inteligentes mais influenciam hoje os projetos da OneLab no Brasil?

"Acreditamos que QUALQUER PROJETO é possível de ser executado no Brasil, observando lógico, a cultura de nosso povo, muitas vezes diferente da global."

Como vocês veem o papel do design e da arquitetura na mediação entre tecnologia, comportamento e cidade?

"Coletando os dados, conseguimos ter especificamente detalhes do público/target do nosso Cliente. O Brasil tem desafios urbanos muito específicos. O que muda quando vocês criam experiências para cidades brasileiras em comparação com projetos em outros países? Criativamente somos iguais, ou melhores rsrsrsrs. O que muda é a forma de interção. Por exemplo, nos EUA conseguimos não limitar a ação do público consumidor, entendendo que os direitos são respeitados. No Brasil, precisamos conduzir mais devagar a experiência, entendendo que a legislação não ajuda muito, mas, na realidade, o público interage de forma diferente, mas, não menos que os de fora."

Na opinião de vocês, qual será o próximo salto das experiências urbanas: mais imersão tecnológica ou mais foco em relações humanas?

"As telas de LED são parte da comunicação. O que é preciso entender é que elas são parte do processo, e não o TODO, ou seja, não adianta colocar telas em todos os lugares se não há uma definição clara do papel de cada uma."

Quais aprendizados a OneLab acumulou ao testar protótipos em ambientes reais, e o que deu errado no caminho?

"Moldamos de acordo com o público e produto a ser testado. Com isso, conseguimos conduzir nosso público para uma experiência guiada mais realista e que realmente funciona."

Na OneLab vocês falam muito em 'modernizar o espaço físico. Trazendo essa pauta para as cidades, como vocês enxergam a transformação do espaço urbano em um ambiente 'phygital' (físico + digital) nos próximos anos?

"A modernização para nós é medida com a quantidade de dados que conseguimos coletar. Isso para nós é importante. E utilizamos a tecnologia para ajudar na captação de mais e mais dados, que são utilizados não somente para medir, mas, para melhorar a cada experiência a próxima experiência."

Vocês mencionam que o trabalho de vocês "inspira novos comportamentos". Qual é o comportamento urbano que a ONE.LAB mais deseja transformar por meio da inovação?

"Nosso maior aprendizado é que a cada nova experiência, a necessidade de se melhorar a experiência. Isso vemos em cada novo projeto."

O totem digital com dispenser de amostras é um exemplo clássico de IoT (Internet das Coisas). Quais são os maiores desafios de implementar tecnologia de ponta em ambientes de grande circulação, como ruas ou shoppings?

"Ainda precisamos moldar a experiência ao público, e conduzí-lo para ter uma boa experiência, para que Eles tenham exatamente o que imaginavam, e caso não tenham imaginado, possamos deixar claro qual a função daquele projeto na vida dele."

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