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Criada a partir de ingredientes amazônicos e de uma proposta que combina saúde, sustentabilidade e inovação, a bebida funcional AMAZ nasce com a ambição de redefinir o mercado de energéticos. Em entrevista ao STATE, o empreendedor Demian Moraru, investidor e cofundador da marca, com trajetória ligada a negócios de impacto e inovação, conta como a ideia surgiu de uma conversa informal entre sócios, evoluiu para um projeto baseado em ingredientes agroflorestais e hoje busca unir performance, impacto ambiental positivo e um novo olhar sobre consumo consciente.
Qual foi a inspiração inicial para criar a bebida AMAZ, especialmente com ingredientes amazônicos como guayusa, guaraná, camu camu e erva-mate?
"A inspiração veio de uma conversa de praia em Maresias, praia do litoral norte de São Paulo, com meu sócio, o Gustavo Nader. Era uma ideia bem embrionária ainda, então começamos a conversar e pintou a sinergia. Como ambos sempre trabalharam com projetos ligados a propósito e tinham esse compromisso com sustentabilidade e saúde, fez todo sentido. A partir daí fomos em busca de qual problema iríamos resolver, e basicamente foram dois: trazer uma bebida funcional saudável, já que os energéticos naquela época eram todos artificiais, e trazer uma solução mais equilibrada para a cadeia toda e para o ecossistema da Amazônia, usando ingredientes agroflorestais. Era saúde junto com sustentabilidade, dois problemas resolvidos em um só produto."

"Uma solução que acabou sendo premiada e validada logo no nosso primeiro ano de vida nos EUA, quando fomos eleitos uma das 10 startups de bebidas mais inovadoras do mercado, justamente por sermos saudáveis e agroflorestais e a primeira marca de energéticos do mundo a fazer um produto agroflorestal, com ingredientes funcionais amazônicos."
Como vocês definem “bebida funcional” no contexto da AMAZ e como isso se diferencia de outras bebidas energéticas no mercado brasileiro?
"A AMAZ é funcional porque, além de entregar energia, entrega foco e imunidade. Tudo isso de forma saudável e sustentável, por meio de ingredientes naturais e orgânicos. É uma fórmula pensada para dar energia, mas sem aquele “trash” dos energéticos comuns, que aceleram o coração, causam pico glicêmico por conta do açúcar e depois trazem uma baixa. A energia da AMAZ é contínua e traz outros benefícios que fazem bem para o dia a dia das pessoas e para a prática de esportes. E tudo isso com ingredientes orgânicos, 100% naturais e agroflorestais."
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A fórmula da AMAZ não contém açúcares artificiais nem adoçantes como stevia ou eritritol. Que desafios técnicos e sensoriais vocês enfrentaram?
"Esse foi um dos maiores desafios do projeto. Açúcar e adoçante mascaram erros de formulação. Quando você tira isso da equação, o produto precisa ser bom de verdade. Tivemos um trabalho longo de equilíbrio sensorial, com ajustes finos de acidez, amargor e textura. Foram muitos testes, quase uma década de pesquisas, até chegar a um sabor equilibrado e delicioso, que não cansa o paladar. Não foi o caminho mais fácil, mas foi o único coerente com a proposta do projeto. E deu certo, pois o produto, além de sabor, entrega as funcionalidades que se propõe."
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Como a agricultura regenerativa impacta a qualidade do produto e o meio ambiente local?
"A agricultura regenerativa melhora o solo, fortalece a biodiversidade e cria ingredientes mais vivos. Isso reflete diretamente na qualidade nutricional. Não é só discurso bonito: plantas cultivadas em sistemas regenerativos tendem a ter perfis bioativos mais interessantes. Além disso, esse modelo cria renda local, reduz o desmatamento e transforma a floresta em um ativo em pé, não em algo a ser explorado e descartado."
Como surgiram as parcerias com o Instituto Nova Era e a Rede de Sementes do Xingu e qual o impacto gerado?
"Essas parcerias foram escolhidas por alinhamento real ao projeto. São iniciativas sérias, com histórico e impacto comprovados. A ideia sempre foi devolver parte do valor gerado para quem protege a floresta na prática. O impacto vai desde geração de renda até restauração de áreas degradadas. A AMAZ não quer ser protagonista nisso, quer ser parte do ecossistema."
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Quais critérios vocês usam para garantir rastreabilidade e sustentabilidade dos ingredientes?
"A gente trabalha com cadeias curtas e parceiros próximos. Conhecer quem produz, como produz e em que condições. Isso exige presença, relação e compromisso contínuo. E estamos ainda no começo, pois temos muito o que melhorar. É uma curva de aprendizado que não para. Sempre digo que o importante é dar o primeiro passo. A AMAZ ainda não é perfeita, mas já deu seus primeiros passos."
Por que lançar a AMAZ no Brasil mesmo com a marca já presente nos Estados Unidos?
"Porque o Brasil é a origem dessa história. Não fazia sentido a floresta estar no rótulo e o produto não estar no país. Além disso, o consumidor brasileiro amadureceu muito. Hoje existe uma demanda real por produtos mais saudáveis, funcionais e com propósito. Era o produto certo na hora certa. E funcionou, porque, apesar das metas agressivas que trouxemos e do planejamento adequado, as duas primeiras produções deram sold out. A AMAZ não parou nas prateleiras. Nossa tese de que o consumidor buscava um energético saudável, funcional e sustentável se comprovou."

Quem é o público-alvo da AMAZ no Brasil e como a marca se posiciona frente às grandes marcas?
"A AMAZ fala com pessoas que buscam uma vida mais saudável, que são ativas, conscientes e exigentes. Gente que treina, trabalha, cria, pensa e não quer escolher entre performance e saúde. A gente não compete por volume nem por preço. Compete por qualidade, valor, identidade e verdade.
Não somos “contra” as grandes marcas, somos outra proposta. Uma proposta mais alinhada aos dias de hoje e aos nossos valores de vida. Um produto que as pessoas podem tomar sem culpa porque sabem que não tem conservantes, agrotóxicos nem açúcar adicionado."
Os três sabores lançados tiveram influência de estudos de mercado ou preferências regionais?
"As duas coisas. Foram muitos testes, escuta de consumidor e ajustes sensoriais. A ideia foi criar sabores que fossem familiares e com personalidade. Nada muito óbvio e, ao mesmo tempo, alinhado com o conceito da AMAZ. E claro, deliciosos, pois não basta ser saudável e sustentável, tem que ser gostoso."
Quais são os planos de inovação da AMAZ?
"A biodiversidade amazônica é praticamente infinita, mas requer muita pesquisa e adequação às leis brasileiras. Para ter uma ideia, tivemos que mudar a fórmula dos EUA para o Brasil, pois, por incrível que pareça, aqui não é permitido usar os mesmos ingredientes amazônicos que nos EUA. Lá existe uma flexibilidade muito maior, mesmo os ingredientes sendo brasileiros. Falando de inovação, nosso foco é aprofundar o que já fazemos bem, explorar novos ingredientes com base científica e criar produtos que façam sentido no dia a dia das pessoas, não só no hype do mercado.
Estamos começando a criação e testes de novas linhas e produtos pelo mercado dos EUA, e a ideia é trazer depois tudo isso para o Brasil. Montamos um time novo de especialistas experientes e estamos indo fundo no desenvolvimento e na melhoria de toda nossa cadeia e operação. Temos muito o que evoluir ainda e estamos no caminho para isso. A AMAZ não vai parar de evoluir e vai trazer muitas inovações em breve."
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Como a AMAZ promove um estilo de vida saudável e sustentável e como medir esse impacto?
"Por meio do produto, da comunicação e das escolhas de cadeia. A gente olha para a recorrência, para a comunidade que se forma em volta da marca, para parcerias e para o quanto conseguimos influenciar escolhas melhores no cotidiano.
Hoje em dia, nosso principal caminho de medição de impacto é via nossos parceiros da Rede de Sementes do Xingu e do Instituto Nova Era. Parte das nossas vendas vai direto para eles e beneficia os projetos e comunidades. Estamos exatamente na fase de rever toda a cadeia produtiva e trazer métricas cada vez mais eficientes. É um processo que nunca termina, só se aperfeiçoa."
Quais desafios vocês preveem na expansão no Brasil e como pretendem enfrentá-los?
"A AMAZ Brasil é uma joint venture entre AMAZ EUA e WeBev, o primeiro grupo de bebidas “better for you” do Brasil, do qual também sou sócio. Como a WeBev tem fabricação e distribuição próprias, além de uma operação eficaz, os desafios comuns de um lançamento estão tendo um impacto muito menor. As primeiras produções esgotaram rapidamente nas prateleiras.
O maior desafio é a educação de mercado, ganho de escala e investimento adequado para cada fase. Um produto inovador como a AMAZ requer um pouco mais de esforço inicial de comunicação. Os consumidores estão entendendo agora que existe uma opção saudável ao energético tradicional e totalmente alinhada aos valores de saúde e sustentabilidade que eles procuram. É um caminho sem volta, porque agora os consumidores têm escolha e podem optar por um produto de alta qualidade e, ao mesmo tempo, saudável."
Diante do crescimento do mercado de wellness, como a AMAZ enxerga sua responsabilidade social na educação do consumidor?
"Com muita seriedade. A responsabilidade da AMAZ é não prometer milagres, não vender atalhos e não infantilizar o consumidor. A gente acredita em saúde preventiva como prática diária, não como moda. Se a marca conseguir ajudar as pessoas a fazer escolhas melhores de forma consistente, o impacto vem naturalmente. Sem barulho, sem exagero, sem fake wellness.
E vai muito além do produto. Estamos usando nossa comunicação, embaixadores e todos os canais possíveis para amplificar a mensagem. Olhamos para a Amaz como algo que vai muito além de um produto. O produto é somente o meio para propagarmos um estilo de vida mais saudável, consciente e com valores alinhados a um mundo melhor para todos."
Colaborou: Clarice Santana
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