Solidariedade

Solidariedade
29/12/2023

Solidariedade

Ações de voluntariado e impacto. Estamos mais solidários? Saiba como a ação afeta na saúde mental coletiva.

De origem francesa, a palavra solidarité traduzida para o português significa solidariedade, se irmos além de sua tradução ela representa o ato de se identificar com o sofrimento do outro e, principalmente, se dispor ou a solucionar/amenizar o problema. O termo ganha mais peso nas épocas festivas e suas ações mostram que ser solidário não é dar esmola e sim ajudar na construção de uma sociedade mais justa para todos.

Na prática, foram 7,3 milhões de pessoas a realizar trabalho voluntário em 2022, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Houve um acréscimo de 603 mil pessoas a fazer voluntariado, entre 2019 e 2022, impulsionado pela pandemia, calculou o instituto. Segundo a pesquisa, o ato é mais frequente entre as mulheres, acima de 14 anos, com uma taxa de realização do trabalho voluntário em 4,9% do total, em contrapartida, essa parcela foi de 3,5% no total de homens.

O estudo também revelou que o voluntariado também parece aumentar dependendo da escolaridade da pessoa. Entre os que têm superior completo, a taxa de realização de trabalho voluntário ficou em 6,9%. Foi a maior entre as quatro faixas de instrução delimitadas, informaram os pesquisadores do IBGE.

A solidariedade também reside em nosso bairro, é o que conta a Cátia, colaboradora da ONG AVIVA, que atua na região da Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.

"Nós temos um trabalho aqui, já tem quase 2 anos. Quando nós chegamos aqui, nós tínhamos mais de 400 pessoas, foram encaminhadas para a recuperação, para as casas de atendimento 150".

De acordo com Cátia, o processo do atendimento é bem demorado e meticuloso, porque as pessoas possuem baixa autoestima. "Elas não se sentem pertencentes, elas estão doentes", diz a contribuinte ao se referir aos dependentes químicos da região onde a instituição atua. Para o psicanalítico Plínio Carpigiani, a solidariedade é uma forma ética que contém aspectos de respeito e cuidado com quem é mais frágil, nesse caso, socialmente.

Já na visão clínica, Carpigiani afirma que:

"A ética do cuidado é um termo de relevância e muito estudo. Se pensarmos que a sociedade passa por nós, então, também a somos. Assim, as relações estabelecidas ficam mais solidárias, o que é fundamental para a mudança em sociedade e assim da vida das pessoas".

Ainda conforme o Dr, a solidariedade teve um avanço significativo durante a pandemia. "Talvez por todos estarem vivendo a mesma situação de isolamento, apesar das diferentes condições de cada um, a pandemia promoveu uma condição empática e solidária maior do que se podia imaginar", afirma o psicanalista.

Além do trabalho com doações diretas, a ONG Aviva realiza um trabalho de psicologia, onde os menos abastados são escutados por estudantes de psicanálise. Para Cátia, a escuta qualificada quer dizer que você tenta interpretar a necessidade que está por trás do déficit de comunicação, além do trabalho com a saúde mental a instituição conta com intervenções como o dia da beleza, onde voluntários do setor comparecem para realizar cortes de cabelo e barba do pessoal de rua.

Do ponto de vista de saúde mental, Carpigiani afirma que:

"A importância de ajudarmos ao próximo está relacionada a uma condição empática onde nos colocamos no lugar do outro e deixamos nosso narcisismo de lado".

Segundo o Dr, alguém só, sem amparo do outro, tem uma vida mental prejudicada e adoecida. Portanto, olhar para o próximo é fundamental para a saúde mental individual e coletiva. O trabalho voluntário também é mais frequente entre os que têm emprego.

Entre os ocupados no mercado de trabalho no país, 4,7% faziam voluntariado – sendo que essa fatia era de 3,6% entre os não ocupados. No estudo, ficou em 4,2% a parcela dos que fazem trabalho voluntário no total de pessoas de 14 anos ou mais de idade. Essa fatia é maior do que a de 2019 (4%) e de 2016 (3,8%), nos levantamentos anteriores em que o IBGE apurou esse tópico.

O trabalho voluntário também está presente nas empresas, o estudo ressalta que em 2022, 86,4% do trabalho voluntário era realizado por meio de empresa, organização ou instituição. Por outro lado, aumentou o trabalho voluntário feito individualmente. O percentual de pessoas acima de 14 anos que o fazem nessa categoria subiu de 9,4% em 2019 para 13,6% em 2022. A média de horas de trabalho voluntário por semana ficou em 6,6 horas em 2022, mesma média de 2019.

Quatro vezes ou mais por mês foi a periodicidade mais frequente, sendo citada por 42,3% do total de pessoas que faziam voluntariado em 2022. Além do trabalho realizado diretamente com as 853 famílias que residem ao redor do STATE a AVIVA forma um movimento catalisador com a comunidade, a ação liderada pelo pastor Daniel Beltrão, trabalha em conjunto com outras associações, com auxílio assistencial com os moradores criando ações para suprir itens básicos do cotidiano, como bujões de gás, roupas, alimentos e mutirões com profissionais da área de saúde. Segundo o Censo, em 2022, imóveis desocupados representam 12 vezes a população de rua de São Paulo.

O mapeamento aponta a existência de 588.978 unidades habitacionais sem moradores, enquanto estudo estima 48.261 pessoas vivendo nas ruas da capital paulista. De acordo com o estudo, que levou em consideração apenas as pessoas que estavam registradas no Cadastro Único do governo federal, o município de São Paulo concentra 25% dos moradores de rua de todo o Brasil. Segundo o estudo, é possível ver que a população mais carente vem crescendo. As pessoas em situação de rua são mais complexas.

Para Jorge Pacheco, fundador e CEO do STATE esse tipo de ação tem papel importante no compartilhamento de conhecimento.

"O trabalho voluntário permite o acesso de pessoas com habilidades e disponibilidade de ajudar quem está precisando, quem não tem condições, habilidades necessárias ou conhecimento necessário."

Desde o começo deste ano, o senso de comunidade marcou presença no STATE Solidário. O projeto, que conta com a ajuda da comunidade STATE, foi inaugurado em janeiro com arrecadação de material escolar - doado para vítimas das chuvas do litoral norte paulistano. Mas as ações não pararam por aí, o projeto ainda contou com mais quatro edições: arrecadação de agasalhos e cobertores, kits de higiene, brinquedos de natal, além da finalização com a arrecadação de mais de 90kg de alimentos na festa de final de ano da comunidade.

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