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Entre o ruído constante das notificações e a urgência do tempo real, ainda há quem escolha parar, folhear e permanecer.
Neste encontro entre o STATE — um centro de inovação que pensa o futuro das cidades, da cultura e das formas de viver, e a Esquire, revista que atravessa décadas sem perder densidade nem estilo, a conversa parte de uma provocação simples e necessária: qual é o lugar do impresso em um mundo que não para de deslizar telas?
Quem dá voz à Esquire é Luciano Ribeiro, diretor-geral da publicação no Brasil, que conduz o diálogo a partir da experiência de quem vive o jornalismo impresso por dentro, entre capas, editoriais e leitores fiéis. As perguntas que seguem exploram memória, relevância, transformação e permanência, colocando frente a frente a lógica dos algoritmos e o valor do papel, o efêmero do feed e a longevidade de uma edição guardada na estante.
É um papo sobre resistência criativa, tempo, curadoria, e sobre o que ainda vale a pena ser lido com calma.
"Não sou saudosista. Prefiro esse mundo mais plural, cheio de canais, de opiniões divergentes, de pessoas que nunca teriam acesso a uma redação de jornal mas que, graças ao celular, às telas, têm suas opiniões ouvidas e compartilhadas por muitos. Particularmente, continuo virando muitas páginas, especialmente de livros, já que não me adaptei ao Kindle."
"Sinceramente não. Quando trouxemos a Esquire para o Brasil sempre soubemos que a revista seria um produto premium, exclusivo e destinado a poucas pessoas. Mas o navegador ajuda que uma reportagem da Esquire que talvez ficasse restrita a dez mil pessoas hoje possa alcançar centenas de milhares. Há posts nossos com milhões de visualizações e eu acho isso um avanço."
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"Trabalhar os múltiplos canais que uma marca como a Esquire permite."
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"Lançar uma revista impressa a cada dois meses é muito prazeroso. Tudo o que circunda ela: as reuniões de pauta, a edição de cada reportagem, a montagem, a produção, lidar com a equipe, o fechamento. A operação impressa é lucrativa graças às marcas de luxo que ainda entendem que ali você está falando com um público específico."
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"Saber que de alguma maneira você pode ter feito o bem para o outro. Um restaurante que encheu, um arquiteto que fechou contratos, um artista que passou a ser mais reconhecido, coisas assim que talvez a Esquire possa ter proporcionado."
"Acredito que sim. Outro dia, minha sobrinha Laura, de 17 anos, carioca, me disse que um amigo dela chegou no colégio com a Esquire nas mãos. A nova geração gosta do impresso, mas sempre será nichado, nunca o que já foi. E, tudo bem."
"Leiam Philip Roth, Elizabeth Strout, Don DeLillo, Cormac McCarthy, Murakami, Ian McEwan, Toni Morrison, Karl Ove Knausgard, Tove Ditlevsen, JM Coetzee, Svetlana Alexievich, John Updike, Saul Bellow, Hemingway, Michel Houellebecq, James Salter e John Williams, entre muitos outros, não nessa ordem."
Luciano Ribeiro é diretor-geral da Esquire Brasil. Jornalista de formação, foi repórter e editor em veículos como O Globo, Trip, TPM e Vogue. Antes de assumir a revista, fundou sua própria editora, a Carbono, comandou a área comercial da Condé Nast por quase quatro anos e, mais recentemente, passou a atuar como agente do ator Cauã Reymond
*Colaboração Clarice Santana

O Global Future of Work 2026 aponta a IA e o propósito como chaves da nova gestão. Enquanto baterias viram fertilizantes em prol da economia circular, Uberlândia brilha como a 2ª cidade mais sustentável do país. Chega mais para ler o STATE Journal.
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Entre o ruído das telas e a urgência do feed, o STATE e a Esquire questionam: qual o lugar do impresso hoje? Luciano Ribeiro, diretor da revista no Brasil, reflete sobre memória, curadoria e permanência. Um diálogo sobre o valor do papel e a resistência criativa em um mundo que não para de deslizar.