Elas no comando

Elas no comando
8/3/2023

Elas no comando

Pesquisa mostra que mulher líder aumenta a presença de profissionais femininas em 8% no conselho, 16% no nível executivo e 8% na gestão.

Segundo o relatório de Índice de Gênero de 2023 da Bloomberg – Gender-Equality Index, GEI, ferramenta de medição desenvolvida pelo Instituto Europeu para a Igualdade de Gênero – com 600 participantes, as mulheres ocupam apenas 8% dos cargos de CEO nas empresas – os dados sugerem que as empresas com uma mulher como líder têm maior representação do gênero em todos os níveis. Conforme o documento, quando uma mulher ocupa a presidência da empresa, a presença de profissionais femininas é 8% maior no conselho, 16% maior no nível executivo, 8% maior no nível de gestão e 5% maior nos níveis de entrada.

Um exemplo, atual, de mulheres no comando é o La Fabrique – iniciativa das empresas francesas: BNP Paribas - um dos maiores bancos da Europa com presença em 75 países, Edenred, líder mundial em soluções transacionais para empresas, empregados e comerciantes e da Ingenico – empresa especializada em serviços de pagamento. Localizado (na vila Leopoldina em São Paulo) dentro do STATE – centro de inovação com foco em cidades, o HUB é uma iniciativa criada para estabelecer conexões com startups que possam inovar em seus negócios e hoje conta com dezenas de startups em seu ecossistema.

Para Marina Barboza, Business Innovation Lead da Ingenico:

“A diversidade é uma peça fundamental para a inovação acontecer”.

Segundo Marina, o aumento da representatividade feminina na liderança está entre as verticais que a empresa atua.

“Eu acho importante que as grandes empresas – que são geralmente formadas, em sua grande parte, por um conselho masculino – estejam sob o comando feminino na área de inovação”, afirma Jorge Pacheco, fundador e CEO do STATE. 

Para Pacheco, que dispõe de um quadro profissional de 70% liderado por mulheres, “as mulheres possuem uma sensibilidade maior, e como líderes portam a capacidade de empatia mais elevada”.

Apesar das mulheres ocuparem, hoje, uma porcentagem de liderança no mercado formal de trabalho, esse número nem sempre teve a representação do gênero. Na década de 1970 a evolução da mulher brasileira no mercado de trabalho era 18%, conforme a Fundação Carlos Chagas. No 3º trimestre de 2022, uma pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que o Brasil ainda está longe da equidade de gênero dentro do mercado de trabalho e que 44% da força de trabalho no país é representado por mulheres.

Olhar Feminino

"Ser uma mulher líder em qualquer área é sempre bastante desafiador, por isso fico muito feliz de vivenciar essa experiência no La Fabrique, trabalhando principalmente com outras mulheres”, relata Marina Finger, gerente de Negócios e Inovação do BNP Paribas.

Marina Barboza ressalta: - “É verdade que no ecossistema de inovação ainda falta bastante representatividade, especialmente entre executivos e founders, o que torna essa experiência da mulher em inovação um pouco solitária às vezes, e por isso é reconfortante sempre ter as reuniões semanais com as mulheres do La Fabrique”.

A participação de mulheres na liderança de companhias de capital aberto avançou no último ano, mas o progresso ainda é lento, segundo a Bloomberg, o número representa um aumento de 1% em relação aos resultados do ano anterior. Nos conselhos, o movimento é semelhante: 32% dos assentos são ocupados por mulheres, contra 31% registrados na última pesquisa.

O estudo (GEI 2023) recebeu dados de mais de 45 países, com atuação em 11 setores e 54 indústrias. Entre elas, 484 cumpriram os requisitos para análise, incluindo 16 empresas brasileiras.

Foto de Christina na Unsplash

“Temos ainda muitos desafios pela frente no que toca diversidade e equidade em todos os seus níveis, mas sinto que estamos no caminho certo e acredito que situações como essa do La Fabrique são um bom exemplo para reforçar o potencial que todas nós mulheres temos”, relata Marina.

Charlotte Guinet, Innovation | DMS - Edenred, conta com altivez como é participar da iniciativa do La Fabrique:

“Tenho um orgulho enorme em participar de um grupo como esse e contribuir para o crescimento da área de inovação como todo”.

Segundo Charlotte, há 8 anos – quando iniciou na área, viam-se poucas mulheres nos encontros, mas isso vem mudando “e as empresas estão percebendo a potência feminina e inovando”.

Já Caroline Dogakiuchi do time de inovação da Edenred, afirma que:

“Estar à frente de iniciativas de inovação como essa representa uma luta diária de me encontrar e potencializar minhas verdadeiras qualidades e não mais tentar me igualar e me moldar a um mundo majoritariamente masculino. Felizmente, o fato do La Fabrique ter representantes mulheres incríveis torna essa luta muito mais leve e o dia a dia muito agradável. É um privilégio trabalhar em uma empresa como a Edenred e em parceria com empresas como a Ingenico e BNP que valorizam tanto a diversidades”.

Lethicia Benassi, do time de inovação da Ingenico afirma que

“É um orgulho muito grande o La Fabrique ter um grupo de trabalho completamente feminino (representantes das empresas fundadoras e community manager!), justamente pelo sentimento de que estamos colaborando e empoderando umas às outras, em iniciativas para o HUB ou não. Se for para ser bem sincera, a sensação é que vamos mesmo dominar o mundo!”

Para Taís Serra, líder de Comunidade do La Fabrique,

"Fazer parte de um HUB de inovação liderado por mulheres é uma experiência extremamente gratificante e empoderadora. Infelizmente sabemos que o mercado de trabalho não valoriza a mulher e muita coisa ainda tem que mudar, mas estar no La Fabrique me mostra que estamos no caminho", finaliza a líder.

*Colaborou: Clarice Santana

STATE journal

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