Inovação e ODS 6

Inovação e ODS 6
22/3/2024

Inovação e ODS 6

Conheça a seguir soluções inovadoras pensadas para mitigar a escassez de água potável.

Hoje é comemorado o Dia Mundial da Água, data que foi instituída pela Organização das Nações Unidas, ONU, em 21 de fevereiro de 1993, visando alertar as pessoas sobre a importância de preservar o recurso da natureza. Segundo o documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água”, no artigo 4 a alegação é que o “o equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos".

Após mais de 3 décadas da data instituída, o novo relatório lançado pela Unesco na abertura da Conferência da ONU sobre água, em 2023, aponta que mais de um quarto das pessoas em todo o mundo (46% da população) sofrem com a falta de água potável e sem acesso a saneamento básico. O problema deve atingir 2,4 bilhões de pessoas até 2050. A temática é o centro da ODS 6 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6), que visa assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e do saneamento para todos.

Só no Brasil são cerca de 33 milhões de pessoas que vivem sem acesso à água potável, conforme os dados divulgados pelo Instituto Trata Brasil - organização da sociedade civil de interesse público, OSCIP, que desenvolve ações e estudos visando fomentar o saneamento básico no Brasil. O dado chama a atenção pelo fato de o país abrigar dois dos maiores aquíferos do mundo – o Guarani, localizado no Centro-Sul do país, e o Alter do Chão, na Região Norte.

Soluções emergentes

Já falamos no nosso Journal, quinzenal, sobre algumas soluções inovadoras para acabar com o problema de escassez de água potável e colaborar com o ODS 6, uma delas é a fórmula apresentada pelo bilionário Bill Gates, que financiou uma máquina que transforma fezes humanas em água potável. Quilos de dejetos humanos são despejados sobre uma esteira e introduzidos em um aparato cheio de tubos, chaminés e engrenagens, denominado de OmniProcessor, em seu interior, o excremento é processado durante cinco minutos, até se transformar em um líquido sem cheiro, gosto ou cor, a solução foi criada para contornar carência de saneamento em regiões pobres.

Aqui, no vídeo, postado pelo próprio Gates, é possível ver o desenvolvimento do maquinário que trata dejetos humanos a baixo custo, transformando-os não só em água, mas também em energia elétrica. O objetivo de Gates é usar a tecnologia para beneficiar populações sem acesso a saneamento.

Outra proposta foi apresentada pelo laboratório de reuso de água da Universidade de São Paulo, USP, em 2014, onde pesquisadores trabalham para melhorar e aumentar as formas de reutilizar a água. Com uma espécie de plástico, um filtro com membranas cortadas retira a água suja de um córrego e distribui água potável aos moradores. A máquina pode purificar seis mil litros por hora, e ser usada em inúmeras situações. Os filtros feitos com ela são capazes até de transformar a água do Tietê em água potável.

Outra solução, foi a apresentada pelo empreendedor dinamarquês Mikkel Frandsen, em 1996, que buscava uma solução para melhorar a vida de pessoas na África. Frandsen criou uma primeira versão do LifeStraw para erradicar o verme da Guiné, uma doença transmitida principalmente por meio da ingestão de água contaminada. Trata-se de uma "engenhoca" em forma de canudo que limpa a água conforme ela passa por uma série de fibras longas e ocas, inseridas em um tubo de plástico.

Imagem: Divulgação LifeStraw

A versão original funciona como um canudo normal, você simplesmente mergulha uma extremidade em alguma água e suga do outro lado. Qualquer coisa maior que dois mícrons - ou um centésimo da grossura de um fio de cabelo humano - ficará preso ali antes de chegar à sua boca. Isso inclui 99,9% dos parasitas e 99,9999% das bactérias, como as que causam cólera, disenteria e febre tifoide. Quando sugada por um LifeStraw, até mesmo a água mais lamacenta fica tão limpa quanto as de riachos de montanhas.

Imagem: Divulgação LifeStraw - a esquerda modo de uso e a direita funcionamento interno da criação

A temática de acesso a água potável também inspirava a baiana Anna Luísa Beserra. Nascida em Salvador e formada em Biotecnologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), teve a ideia de criar um dispositivo de purificação de água, o Aqualuz, aos 15 anos, quando já sabia que queria ser cientista. O que ela não sabia é que anos mais tarde se tornaria empreendedora e a primeira brasileira a ganhar o prêmio Jovens Campeões da Terra, da ONU.

Imagem: Divulgação Aqualuz

Hoje com 25 anos de idade e uma filha de 1 ano, Anna lidera a startup SDW (Sustainable Development & Water For All) e uma equipe de 15 pessoas e que já impactou mais de 20 mil pessoas em 15 estados. A metodologia utilizada no Aqualuz é o tratamento da água a partir da exposição aos raios ultravioleta. A engenhoca usa um reservatório de aço inox conectado a uma cisterna resultando na desinfecção em média 10 litros de água após 4 horas de exposição à luz solar.

Felizmente as soluções não param de chegar, outra foi apresentada pelo designer industrial Timothy Whitehead, durante uma viagem para a Zâmbia, África. No decorrer de sua jornada pelo país africano, ele percebeu que a população sofria com a intensa demora na purificação da água. A invenção, chamada de “Pure Water Bottle”, precisa de apenas dois minutos para transformar água suja em água potável. O processo de purificação envolve a utilização de quatro filtros e um sistema de luz ultravioleta.

Dessa forma são retiradas 99,9% das impurezas contidas na água. Aparentemente ela é uma garrafa comum, porém possui um compartimento interno e outro externo. Para fazê-la funcionar, a água não potável deve ser colocada na câmara de fora. Então, basta girar a manivela para iniciar a limpeza pelo sistema UV. Após dois minutos, a água estará pronta para beber. Whitehead foi premiado no Reino Unido com o prêmio "James Dyson Award", pela sua criação.

O designer está projetando um protótipo que possibilite a produção em massa. Whitehead espera que a garrafa possa ser uma solução palpável para as pessoas que sofrem com altos custos ou falta de tratamento de água. O desempenho e eficiência da garrafa foram comprovados cientificamente.

Para encerrar o nosso top 5 de soluções inovadoras, vamos falar do Drink Pure, invenção do estudante suíço Jeremy Nussbaumer. Feito a partir de material reciclado, o filtro se adapta facilmente a uma garrafa de plástico comum e funciona em três passos simples: água poluída passa por um pré-filtro que remove a sujeira e detritos grandes; a água passa então através de uma camada de carvão ativado, onde o odor, metais pesados e produtos químicos são retidos. Finalmente, uma membrana de poro retém todas as bactérias, resultando em água potável limpa.

Nussbaumer criou a invenção com o objetivo principal de ajudar no abastecimento de água potável às populações em áreas remotas. Além das soluções apresentadas, podemos, no nosso cotidiano, economizar, um gesto simples, que permite o acesso para pessoas que não possuem. Veja, abaixo, algumas possibilidades:

Cronometre o banho | Desligue a torneira ao escovar os dentes | Limite o uso da máquina de lavar | Reaproveite a água da máquina de lavar | Verifique e corrija quaisquer vazamentos | Feche bem as torneiras.

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