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Os 4 pilares do Novo Normal nas Empresas e Negócios
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Passados quase 4 meses do início da pandemia, já podemos identificar diversos sinais do "novo normal" na vida das pessoas e nos negócios. Algumas medidas devem permanecer somente até a chegada da vacina/tratamento, como o uso de máscara e o grande distanciamento físico entre as pessoas. Ao mesmo tempo, a ressignificação de valores e novos olhares para temas que, até então, eram timidamente encarados, parecem ter vindo para ficar.

Embora possamos ser sempre surpreendidos com uma nova disrupção, o "novo normal" que viveremos no curto/médio prazo não será algo extraordinariamente novo, mas teremos uma grande adesão de pessoas e empresas a comportamentos e valores que já vinham conquistando o seu espaço.

Ainda não é possível arriscar uma previsão assertiva sobre o novo normal, pois as possibilidades são infinitas, mas há 4 pilares nas empresas e negócios que sustentarão o “novo normal”, seja ele como for.


+Humano

Com mais atenção com às pessoas e o lema “people first”, a pandemia levanta questões sérias sobre a saúde não apenas física, mas também mental e emocional do ser humano. As empresas que não se preocuparem com a saúde de seus colaboradores e não desenvolverem uma cultura que vise o bem estar das pessoas, terão dificuldades em contratar e reter talentos.

A sociedade teve grande participação nessa mudança de mindset cobrando das companhias esse cuidado. As empresas compreenderam o recado e estão se adequando para incorporar os valores sociais exigidos por seus clientes e consumidores. Um exemplo recente são as reações de governos e grandes organizações a partir das manifestações sociais no mundo todo contra a discriminação racial. Esse movimento foi desencadeado pelo assassinato do afro-americano George Floyd por um policial branco nos Estados Unidos. Empresas como Adidas, Amazon, IBM, Nike, McDonals se manifestaram publicamente e ampliaram suas políticas internas de diversidade. Outras como PepsiCo e Johnson & Johnson além de comunicarem, também adequaram produtos e embalagens que pudessem ter algum traço racista.

Recentemente, vimos o movimento Stop Hate for Profit, no qual grandes empresas interromperam temporariamente seus anúncios em plataformas como Facebook, Instagram e Twitter para exigir que estas se posicionem e tomem medidas contra a propagação de discursos de ódio e desinformação.

Produtos, atitudes ou informações que desrespeitarem as pessoas enquanto seres humanos não serão mais tolerados. As empresas já entenderam o recado e terão que ser aliadas da sociedade ou terminarão sem colaboradores, clientes e consumidores.


+Colaborativo

Não é de hoje que grandes empresas estão criando e entregando soluções por meio de parcerias estratégicas. Esta será a nova regra do mercado, não mais uma exceção. Também não é novidade que muitas empresas estão aprimorando e desenvolvendo novos produtos a partir da interação e colaboração entre diferentes áreas, fornecedores e clientes.

Outro ponto é o processo de transformação digital que muitas companhias estão passando, o que deve envolver todas as áreas e não somente TI como muitos imaginam. A colaboração está se tornando um valor chave nas culturas corporativas e a tendência é que isto só cresça.

Em um mundo cada vez mais rápido e competitivo, é impossível querer fazer tudo sozinho. Somado a isso, há uma crise econômica mundial de enormes proporções que deve durar alguns anos. Segundo a pesquisa “Startups e os desafios da pandemia: adaptações e reinvenções no ecossistema” da Órbi Conecta e da FDC, o ecossistema como um todo admite a importância da colaboração e da cooperação como estratégia chave para superar a crise. Isso faz com que os impactos diminuam para ambos os lados.

Também veremos mais apoio às iniciativas locais e será cada vez maior a presença de grandes empresas junto às pequenas, conforme já visto em alguns movimentos durante a pandemia, como os casos da AMBEV, Nestlé, Outback, entre outros. O conceito de "somos todos um", tão falado em filosofias espiritualistas, também se aplica a economia. Se os pequenos negócios não sobreviverem, o impacto na geração de renda do país será enorme e não haverá consumidores para os produtos das grandes empresas.


+Flexível

Comportamentos de gestão autoritários indicam dureza, falta de compreensão de novas ideias e realidade e, consequentemente, contra a evolução. Empresas que não entenderem isso terão cada vez mais dificuldade para atrair e reter talentos. Da mesma forma, a dureza também as impede de se readaptar a novos tempos ou ajustar suas ofertas de produtos e serviços.

A nova ordem é flexibilidade, tanto para dentro quanto para fora de casa. Dentro de casa a empresa precisa ouvir mais seus colaboradores e adaptar seus modelos de forma a buscar maximizar não apenas a produtividade, mas também o bem estar e satisfação de todos. Muito se fala no “novo normal” ser home-office, mas é a flexibilidade que permitirá que as pessoas trabalhem parte do tempo em casa e parte em um escritório, hub ou qualquer outro espaço. As pessoas são diferentes, com particularidades em seus gostos e preferências e lidam com mais facilidade ou dificuldade em determinados tipos de ambiente. Cabe a cada empresa construir o modelo ideal, híbrido e flexível, junto a seus colaboradores.

Da mesma forma, elas também precisam ser flexíveis para fora, com velocidade para aprender e criar culturas e estruturas que lhes permitam mudar constantemente e de forma ágil. A colaboração é importante para criar o novo assim como a A flexibilidade é tão importante quanto a colaboração para criar o novo, pois permite aceitar mudanças e executar ajustes necessários para atender novas demandas.


+Inovador

Empresas que conseguem interpretar os sinais da sociedade e prever as mudanças nos mercados tendem a ter vantagem em relação às demais. As que trabalham com previsão e conseguem ser ágeis para criar e oferecer novas soluções ao mercado são as verdadeiras inovadoras e que terão mais chances de sucesso no “novo normal”.

Ser inovador será questão de sobrevivência. Para isso, é fundamental estar perto das pessoas e colaborar com seus consumidores, parceiros e equipes internas para a criação de novas soluções para os novos problemas e demandas do mundo.

Mais do que entregar essa solução, é preciso acompanhar, colher feedback e ajustar o que for necessário. É importante entender não apenas o que as pessoas querem consumir, mas também os diferentes perfis e o como, quando, ou com quem irão utilizar os produtos ou serviços à fim de desenvolver soluções mais customizadas.

Para a inovação acontecer é preciso ter foco nas pessoas, colaborar com diferentes agentes e ser flexível para poder mudar de forma cada vez mais rápida e constante.

Acredito que estes 4 pilares sustentarão não apenas as empresas, mas também a experiencia de cada ser humano para que possamos juntos criar as soluções para os nossos problemas.


Fontes:

https://www.nytimes.com/article/companies-racism-george-floyd-protests.html

https://www.businessinsider.com/13-concrete-changes-sparked-by-george-floyd-protests-so-far-2020-6#pepsico-inc-which-owns-the-aunt-jemima-pancake-mix-brand-said-it-would-rebrand-to-make-progress-toward-racial-equality-15

https://medium.com/swlh/big-brands-take-a-stand-in-the-face-of-the-death-of-george-floyd-ae88276be9a0

https://en.wikipedia.org/wiki/George_Floyd

https://www.economist.com/international/2020/06/08/how-george-floyds-death-reverberates-around-the-world

https://www.stophateforprofit.org/

https://nucleos.fdc.org.br/wp-content/uploads/2020/05/STARTUPS-E-OS-DESAFIOS-DA-PANDEMIA-ADAPTAÇÕES-E-REINVENÇÕES-NO-ECOSSISTEMA.pdf


Sobre o autor:

Jorge é sócio-fundador e CEO do STATE, um hub de inovação com foco em deeptech, ciencias e industrias, criado em um antigo galpão industrial dos anos 50 em São Paulo. Ele foi um dos pioneiros em coworking no Brasil através da rede PLUG e participou na fundação e operação do Cubo (Banco Itaú). Antes disso, Jorge atuou por mais de 10 anos no mercado financeiro trabalhando com finanças estruturadas, private equity e turn around. Jorge também é co-fundador do Dinamo, grupo de políticas públicas no tema empreendedorismo e tecnologia, e da Sangha Investments boutique de investimentos de impacto.

por,
Jorge Pacheco