Home
Campus
LAB
Eventos no STATE
LA FABRIQUE
Kori Bio
Where Science
Happens. #2
Health
News
Construções ecológicas: um caminho sem volta
Aconteceu no quintal do STATE o Bossa Summit, evento que proporcionou um ponto de encontro entre startups e investidores
No items found.

Antenado no universo de inovações e cidades, o STATE foi conferir o Bossa Summit, evento que proporcionou um ponto de encontro entre startups e investidores que estão em busca das mais promissoras empresas de tecnologia da América Latina. 

O encontro aconteceu no quintal do STATE, precisamente no espaço do nosso parceiro ARCA - e, o STATE News marcou presença no Bossa Summit ampliando o relacionamento entre as empresas emergentes, além de conferir algumas das soluções inovadoras do mercado. 

Segundo o Ministério das Cidades, estima-se que os resíduos de construção e demolição representem de 51% à 70% dos sólidos urbanos que, se mal gerenciados, degradam o meio ambiente.

Para entender essa problemática o STATE News conversou com a Polinorte Sustentáveis - empresa emergente de soluções civis. 

Confira o papo, abaixo, da nossa seção  "Tudo começa como uma start up".

STATE NEWS -  Recentemente foi publicado o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). No documento, especialistas afirmam que "a humanidade tem apenas três anos para frear as emissões de poluentes do efeito estufa e impedir consequências irreversíveis ao planeta desencadeadas pelo aquecimento global". Com base nessas informações, gostaríamos de saber quais soluções a Polinorte oferece para reduzir o impacto no meio ambiente.

POLINORTE SUSTENTÁVEIS:  A Polinorte Sustentáveis surgiu por meio de uma pesquisa sobre a degradação do nosso meio ambiente atual.  Nessa pesquisa eu (Alex Alves Macedo - fundador da Polinorte), pude constatar que o Brasil é o quarto maior poluidor mundial, quando se fala de resíduos plásticos. Por meio desta pesquisa, comecei a estudar possibilidades de reutilização desse material e como já tenho formação na área civil, desenvolvi um concreto sustentável à base de resíduos de plásticos. 

Idealizei o Projeto Concreto Sustentável, e atuo na triagem de resíduos sólidos desde o seu descarte primário (em fábricas, lojas, residências etc.), pegamos o material que seria descartado em lixões e/ou aterros sanitários, processamos esse material e criamos um agregado de alto valor para a construção civil. Esse agregado - derivado de resíduos, é adicionado em concretos das nas mais variadas aplicações, como concretos estruturais, concretos para simples vedações e concretos estruturados, usados em meios fios de ruas, entre outros.

Quando falamos de futuro, estamos pensando em quê? Na questão da sustentabilidade. Nós sabemos que os recursos naturais, hoje estão cada vez mais escassos. Por exemplo, para se fazer qualquer que seja a construção é preciso utilizar recursos naturais como: pedras, areia. Esses materiais são coletados diretamente na natureza, em pedreiras, rios, no processo de assoreamento -  acúmulo de terra, lixo e matéria orgânica como o fundo de um rio. Isso vem fazendo com que esses materiais estejam cada vez mais escassos com o sofrimento do meio ambiente. Pensando nisso, trabalhamos uma ideia para solucionar um problema grave, que é a degradação desses recursos naturais. 

A redução do uso de recursos naturais na construção civil é justamente reutilizar materiais que antes poderiam ser descartados de forma errada no meio ambiente, em  lixões ou aterros sanitários. Nossa proposta é reutilizar os materiais já existentes. Recolhemos, processamos e utilizamos esse material como agregado. É como se fizéssemos uma areia ou pedras artificiais, então o plástico (que é o protagonista) deixa de ser o lixo e passa a ser o produto agregado. É ele que vai substituir a areia e a pedra. 

SN: Por favor, nos conte sobre o processo de tecnologia usado nas soluções da Polinorte.

PN: Nós trabalhamos com resíduos vindo de empresas que trabalham com saneamento das cidades, trabalhamos com resíduo vindo de residências, empresas. E, utilizamos desde copos descartáveis até um material de maior espessura. Como fazemos isso? Nos segregamos ele, fazemos com que esse material perca o seu tamanho real, ele passa por uma tritura. Quebramos esse material, pois não somos adeptos da queima, que causa impacto ambiental, gerando mais poluição. O processo que usamos é a moagem, a tritura desse material, trabalhamos com diferentes tamanhos com esse material. A partir daí, utilizamos esse material para diversos tipos de concreto, do mais convencional/ mais simples para o um concreto com maior “pedida” de resistência. Então trabalhamos do concreto mais convencional até o mais estrutural. Nós entendemos que reutilizar materiais é vital para o nosso processo hoje ou não teremos o ”hoje" daqui uns 40 anos, como mostram algumas pesquisas.

SN: Qual a redução de impacto que temos ao usar soluções inteligentes nas construções?

PN: Para você ter uma ideia, hoje nós conseguimos reduzir 60% o uso de materiais feitos com recursos naturais, que ainda são utilizados em qualquer construção civil nos dias de hoje. Então, imagine, se nós pegarmos um prédio que seria de 10 andares, 6 deles seriam feitos apenas com recursos que utilizamos. É uma tecnologia nova, é algo diferente, que foi elaborado por um período de 4 anos de estudo. Além de estamos acompanhando esse processo de escoamento de recursos naturais e para melhorar a redução de impacto ambiental, nós criamos essa inovação no quesito de utilizar resíduos como "matérias primas”. Não utilizamos resíduos químicos ou vindos de processos quimicamente, como pesticidas ou materiais de hospitais, por conta do risco de contaminação, mas todo o material doméstico ou industrial, é utilizado para produzir esse tipo de agregado em forma de uma solução viável e amplamente aplicável em qualquer campo da nossa construção civil desde uma estrutura mais simples como  até a edificação de um prédio.

SN: Em quanto tempo vocês acreditam que as construções possam migrar para o processo sustentável?

PN: Eu acredito que as construções já estão voltadas para esse processo. Para você ter uma ideia, aqui no Tocantins, TO, nós já temos muitos construtores que estão em busca desse tipo de processo. Porque? O material da construção civil subiu até 80% desde o início da pandemia. Com esse aumento, muitas fábricas e indústrias dizem que ele (aumento) é causado pela falta de recursos naturais.  O aumento do petróleo, faz com que esses materiais (convencionais) se elevem na questão do valor. E, com esse preço a demanda diminui.

A questão das pessoas estarem mais atentas é muito importante. Hoje no nosso estado, já temos construções sendo feitas com esses tipos de recursos que utilizamos na Polinorte. As pessoas fazem isso por dois motivos: são mais baratos e conscientes com relação ao meio ambiente. Hoje todo pai ensina para seu filho a importância da preservação. Esse despertar das pessoas, hoje, está fazendo com que esse movimento cresça.

Na nossa região temos algumas empresas com parcerias com a Polinorte para o desenvolvimento de projetos em suas calçadas/pátios com esse tipo de recurso. Hoje uma empresa, que usa esse tipo de solução que oferecemos poderá, não apenas mostrar sua obra, mas também educar todo um ecossistema ao redor.

Preservar é o futuro, sem preservação não teremos futuro, na verdade. A mudança já está acontecendo, as empresas já estão migrando,  2022 é o ano de mudanças. Nós tínhamos começado a projetar essa ideia em 2019, quando em 2020 vivemos a pandemia, 2021 também.

Em 2022, nós formalizamos totalmente a empresa, e desde fevereiro até o momento (abril) nós já temos algumas empresas conosco e estamos desenvolvendo dois projetos na nossa cidade. Um deles é um projeto de construção coletiva de uma escola. Nele, os pais irão produzir os tijolos, por meio de uma oficina. Cada pai “recebe” um tijolo com seu nome e o da criança para a construção do espaço. Assim criamos um movimento onde é preciso reutilizar e pensar de forma sustentável. 

SN: Você disse que hoje, com esse processo de uso de materiais reciclados a redução de impacto é de 60% no meio ambiente. Você acredita que conseguiremos chegar em 100% nessa redução?

PN: Esse 60% é em relação ao plástico que empregamos nos nossos concretos, que em alguns casos específicos podemos utilizar até essa quantidade em substituição ao agregado natural (areia, pedrisco ou pedra). Quanto ao plástico que é descartado nossa empresa reaproveita até 99,3% desse resíduo que seria jogado em aterros, lixões ou mesmo no meio ambiente. Nos demais casos como: óleos, madeira e metais é preciso que haja uma mobilização maior por parte das entidades competentes para mitigar esse impacto, uma vez que ele também polui e muito o nosso meio ambiente.

SN: Muitas pessoas podem ter dúvidas com a segurança, você poderia explicar mais detalhadamente o processo de produção e a relação com a segurança?

PN: Sim, a dúvida é natural e, é bem vinda nesse processo porque gera curiosidade de informações. Junto com essa curiosidade nós damos as informações técnicas que validam os nossos produtos, levamos ao cliente amostras desse material e também o levamos para locais em que já estão sendo realizadas construções com o mesmo.Outro fator que contribui para a validação de nossos produtos é que todos os testes de qualidade são feitos em laboratório certificado onde nós entregamos ao cliente um laudo comprobatório de qualidade de cada lote que fabricamos e vendemos, algo inédito nesse ramo.

SN: Quantas construções/projetos vocês já realizaram desde o nascimento da start up e quantas prosperam para 2022?

PN: Nossa empresa tem atividade de 2 meses e nesse período iniciamos a construção de um galpão de 240n m², uma residência de 80 m².

por,
Redação State